Advogado afirmou que recebeu a decisão com indignação e anunciou que vai contestar a medida; apurações citadas envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades tributárias

Porto Velho, RO - A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) suspendeu por 90 dias o exercício profissional do advogado Nelson Wilians, em meio a investigações que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades tributárias. Após a decisão, Wilians publicou um vídeo nas redes sociais em que manifestou “profunda indignação” e anunciou que adotará medidas para contestar a suspensão.

Na manifestação, o advogado relacionou a decisão às operações policiais e à repercussão dos casos na imprensa. Ele também afirmou que, segundo sua versão, não houve indiciamento nem abertura de processos criminais contra ele em decorrência das investigações mencionadas.

“Não há fatos concretos que justifiquem a suspensão. A existência de investigações, por si só, não autoriza a presunção de culpa”, declarou.

Wilians argumentou que uma medida dessa gravidade exige fundamentação individualizada, respeito ao direito de defesa e observância da presunção de inocência. Também sustentou que a repercussão pública das apurações não deve substituir a análise dos fatos e das provas.

O advogado reconheceu que a OAB tem o dever de apurar possíveis infrações, mas afirmou que a entidade também deve proteger o exercício regular da advocacia e evitar que acusações divulgadas publicamente sejam tratadas como condenações antecipadas.

Ele informou que sua defesa adotará as medidas cabíveis para questionar a decisão e reiterou o compromisso de esclarecer os fatos e demonstrar a regularidade de sua atuação profissional.

Operação Arena investiga suspeitas ligadas a apostas esportivas

Nelson Wilians foi um dos alvos da Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal em 13 de agosto de 2026, em parceria com o Ministério Público Federal e a Receita Federal. A investigação apura suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionadas a um grupo empresarial ligado ao setor de apostas esportivas. 

Durante a operação, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados. A Justiça autorizou o bloqueio de bens e valores que, segundo a Agência Brasil, poderia chegar a R$ 1,1 bilhão. Entre as empresas mencionadas nas apurações está a PixBet.

Operação Distrato apura supostas fraudes tributárias

Em julho de 2026, endereços ligados ao advogado e empresas relacionadas a ele foram alvo da Operação Distrato, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e outros órgãos.

A investigação apura um suposto esquema de comercialização de créditos de ICMS sem respaldo econômico, que teriam sido utilizados para reduzir indevidamente o pagamento de impostos. Segundo informações divulgadas à época, os autos de infração relacionados às apurações ultrapassavam R$ 3,8 bilhões. 

Advogado também foi citado na Operação Sem Desconto

Wilians também foi alvo de apurações no contexto da Operação Sem Desconto, que investiga descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em setembro de 2025, durante a Operação Cambota, uma das fases da investigação, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência e no escritório do advogado. Posteriormente, ele prestou depoimento à CPI do INSS e negou participação nas fraudes investigadas. 

A OAB-SP não divulgou publicamente os fundamentos específicos da suspensão. A entidade informou que eventuais procedimentos disciplinares tramitam sob sigilo, conforme relatos publicados pela imprensa. A suspensão profissional, portanto, deve ser distinguida das investigações criminais, que apuram suspeitas e não representam, por si só, uma condenação.