Em reunião, vice-presidente cobrou explicações sobre transferência para conta pessoal do presidente, contratos, folha salarial e movimentação financeira do sindicato. Odair Ozame afirmou que o dinheiro foi utilizado para custear despesas de campanha.Porto Velho, RO - Uma ata de reunião da Diretoria Executiva do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Rondônia (SINPOL-RO) registra uma série de questionamentos sobre a movimentação financeira da entidade e levanta dúvidas sobre a possível utilização de recursos sindicais para custear despesas de campanha eleitoral da direção do sindicato.
O documento se refere a uma reunião realizada em 4 de setembro de 2026, na sede administrativa do SINPOL, com a participação do presidente Odair Ozame, do vice-presidente Naassom Luna e de outros integrantes da diretoria. O encontro foi gravado em áudio, mediante autorização unânime dos participantes, e a ata apresenta a transcrição das manifestações.
Um dos momentos mais importantes da reunião ocorreu quando Naassom questionou uma transferência via Pix de R$ 53 mil que teria sido recebida na conta pessoal do presidente. Ao ser questionado sobre a destinação do dinheiro, Odair afirmou que o valor foi utilizado para pagar despesas relacionadas à campanha eleitoral, incluindo roupas, hospedagens, transporte e alimentação.
A declaração provocou reação do vice-presidente, que cobrou extratos bancários, comprovantes e uma prestação de contas detalhada. Naassom também afirmou que o presidente havia declarado anteriormente que nenhum recurso do sindicato seria utilizado na campanha.
Durante a discussão, foram mencionados pagamentos de R$ 20 mil para um profissional identificado como Pope, R$ 40 mil para Lenine, R$ 6 mil para a advogada Jéssica, R$ 14 mil para a advogada Maiara e R$ 7 mil referentes a um contrato de marketing.
Questionamentos sobre a arrecadação e os contratos
Outro ponto levantado durante a reunião foi a arrecadação mensal do SINPOL-RO. Segundo os valores apresentados por Naassom, o sindicato teria uma receita aproximada de R$ 400 mil por mês, sendo pouco mais de R$ 300 mil provenientes de mensalidades dos filiados e cerca de R$ 90 mil em repasses.
O vice-presidente cobrou informações sobre a destinação dos recursos, questionando despesas, contratos e pagamentos realizados pela entidade. Também demonstrou preocupação com a falta de acesso aos extratos bancários e aos documentos necessários para acompanhar a movimentação financeira.
Na discussão sobre os contratos, Naassom questionou especialmente um possível aumento de R$ 8,5 mil para R$ 40 mil nos serviços atribuídos a Lenine. Ele pediu esclarecimentos sobre a alteração dos valores e a apresentação de documentos que comprovassem as contratações.
O presidente afirmou que alguns profissionais já prestavam serviços anteriormente e defendeu uma avaliação dos contratos pela nova gestão. O diretor jurídico também argumentou que as decisões deveriam ser analisadas com cautela, considerando possíveis custos de rescisão.
Folha salarial de R$ 70 mil também é questionada
A ata registra ainda questionamentos sobre uma folha salarial mensal de aproximadamente R$ 70 mil. Naassom considerou o valor elevado e defendeu uma revisão das despesas, argumentando que os recursos poderiam ser utilizados em benefícios aos filiados.
Ele também pediu esclarecimentos sobre despesas antigas e possíveis dívidas que estariam sendo pagas pelo sindicato.
Sobre a prestação de contas, Odair afirmou que os documentos deveriam ser tratados internamente e apresentados à diretoria. O diretor jurídico sustentou que a análise deveria passar pelo Conselho Fiscal, responsável pela avaliação dos demonstrativos financeiros antes de sua apresentação à assembleia.
Durante a reunião, também foi mencionado que a atual gestão começou a movimentar a conta em 17 de junho de 2026. Naassom, entretanto, defendeu que a fiscalização deveria ocorrer imediatamente, com acesso dos integrantes da diretoria às informações financeiras.
Documentos do Clube Campestre entram na discussão
Embora a pauta inicial da reunião envolvesse a possível demissão e substituição de funcionários do Clube Campestre e da sede social, o encontro acabou ampliando o debate para questões administrativas e financeiras.
Naassom mencionou documentos e imagens de prestações de contas do clube que, segundo ele, teriam sido encontrados por um funcionário. Entre os valores citados estavam R$ 8,5 mil referentes a uma festa de Páscoa, R$ 1 mil relacionados ao acompanhamento da presidência e R$ 450 para poda de árvores.
O vice-presidente afirmou que apresentaria os registros em momento oportuno.
Também houve discussão sobre reclamações envolvendo funcionários e a possibilidade de desligamentos. Ao final, a transcrição registra a concordância da maioria dos participantes com a saída de Frank e Cláudio, além de questionamentos sobre os procedimentos trabalhistas e os custos das rescisões.
Origem dos R$ 53 mil precisa ser esclarecida
O principal questionamento registrado na ata envolve a transferência de R$ 53 mil para a conta pessoal do presidente e a afirmação de que o dinheiro teria sido utilizado em despesas de campanha eleitoral.
Até o conteúdo do documento analisado, não foram apresentados comprovantes bancários suficientes para identificar a origem dos recursos, detalhar os pagamentos ou confirmar quem efetivamente custeou as despesas eleitorais.
A situação levanta questionamentos sobre a separação entre as finanças do sindicato e os gastos relacionados à campanha para a direção da entidade. Caso tenha ocorrido utilização de recursos sindicais, será necessário esclarecer a autorização, a justificativa e o respectivo registro contábil. Caso o dinheiro tenha outra origem, os documentos poderão demonstrar essa informação.
A ata, por si só, não comprova a ocorrência de desvio de dinheiro ou irregularidade financeira. Entretanto, registra uma cobrança feita pelo próprio vice-presidente, uma declaração do presidente sobre a finalidade do valor e a exigência de apresentação dos comprovantes.
Os filiados do SINPOL-RO aguardam esclarecimentos sobre a origem e a destinação dos recursos, especialmente diante dos valores mencionados na reunião. A divulgação de extratos bancários, notas fiscais, recibos, contratos e da prestação de contas poderá esclarecer os questionamentos levantados e permitir uma avaliação transparente da gestão financeira da entidade.































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