Disputa territorial centenária na fronteira escalou para confrontos armados, com mortes e evacuações em massa


Tailândia acusa Camboja de realizar ataques contra civisDivulgação/Exército Real Tailandês

Porto Velho, RO - Os confrontos armados na fronteira entre Tailândia e Camboja já deixaram ao menos 16 mortos, 15 deles do lado tailandês, desde quinta-feira (24), de acordo com a agência de notícias Reuters.

O conflito, que começou em maio, com troca de tiros em uma área disputada, escalou para bombardeios intensos em pelo menos seis pontos ao longo dos 209 km da fronteira, cuja soberania é questionada há mais de um século.

A disputa territorial entre os dois países tem origem em um mapa desenhado em 1907, sob o domínio colonial francês, que o Camboja usa como referência para reivindicar territórios, algo que é contestado pela Tailândia.

Um dos pontos mais sensíveis é a região do templo Preah Vihear, cuja soberania foi concedida ao Camboja pela Corte Internacional de Justiça em 1962, decisão reafirmada em 2013, segundo a agência de notícias Associated Press (AP).

Apesar disso, a Tailândia rejeita a jurisdição do tribunal, e os conflitos esporádicos persistem. Em 2011, por exemplo, um confronto entre os dois países deixou cerca de 20 mortos.

Escalada militar

Segundo a Reuters, os combates desta sexta-feira (25) começaram antes do amanhecer nas províncias tailandesas de Ubon Ratchathani e Surin. O exército tailandês relatou que o Camboja utilizou artilharia e foguetes BM-21, de fabricação russa.

Em resposta, a Tailândia mobilizou seis caças F-16, um dos quais atacou um alvo militar cambojano, ação que o Camboja classificou como “agressão militar imprudente e brutal”.

Ambos os países se acusam mutuamente de iniciar os confrontos, que começaram com armas leves e evoluíram para bombardeios pesados. A Tailândia evacuou cerca de 100 mil pessoas das áreas de conflito, enquanto o Camboja registrou uma morte.

As tensões também foram agravadas por um incidente envolvendo minas terrestres. Autoridades tailandesas alegam que dois soldados perderam membros ao pisar em minas russas recentemente instaladas em uma área que deveria ser segura por acordo mútuo.

O Camboja nega as acusações, afirmando que os explosivos são resquícios de conflitos do século 20.

Crise diplomática

A situação diplomática também se agravou. Na quarta-feira (23), a Tailândia retirou seu embaixador do Camboja e expulsou o embaixador cambojano de Bangcoc, segundo a Reuters.

Na quinta, a Tailândia fechou completamente sua fronteira com o Camboja, interrompendo quase todas as travessias, exceto para casos essenciais, como estudantes e pacientes médicos, segundo a AP.

Em retaliação, o Camboja suspendeu as importações de combustível, frutas e vegetais da Tailândia, além de proibir filmes e programas do país vizinho.

As paixões nacionalistas alimentam a crise. No Camboja, a liderança de Hun Manet, atual primeiro-ministro e filho do influente ex-primeiro-ministro Hun Sen, enfrenta pressões internas.

Na Tailândia, a primeira-ministra Paetongtarn Shinawatra foi suspensa do cargo em 1º de julho por possíveis violações éticas, após o vazamento de uma ligação em que se referiu a Hun Sen como “tio” e criticou a liderança militar tailandesa, o que gerou protestos.

Veja o vídeo abaixo:

 

Fonte: R7